Educação superior

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Nos últimos quatro meses, uma reviravolta em minha vida profissional me levou a cuidar de uma pequena rede de três cantinas lotadas em uma universidade do DF. Todas ficam no pátio central de seu respectivo Campus, onde há grande quantidade de mesas e cadeiras para uso dos clientes, em sua esmagadora maioria estudantes da instituição.

Há também uma grande quantidade (exagerada, até) de latas de lixo nestes pátios. Não há, portanto, nenhuma desculpa para que o lixo orgânico gerado pelo consumo dos clientes da cantina não vá parar no lugar próprio, ou seja, nestas latas de lixo.

No entanto, os universitários, futuros advogados, dentistas, nutricionistas, professores de educação física, enfermeiros, entre outros, são incapazes de jogar o lixo que produzem no lixo. O resultado visual ao final de um intervalo de meia hora, quando todos têm um tempo livre, é inacreditável. Uma imundície inaceitável produzida por gente com “educação”.

O que me intriga é saber se esses mesmos alunos, ao irem aos shoppings da cidade, ou em suas casas, se se comportam como a horda de hunos que vejo todo dia. Alguns chegam a espalhar o resto dos sachês de catchup nas mesas. Não se trata só de largar o lixo na mesa de forma minimamente organizado para alguém recolher, mas promover um desastre, inviabilizando o uso daquela mesa por quem vem depois. Duvido que o façam.

A faculdade mantem uma grande equipe de limpeza, que consome boa parte do seu tempo limpando o que as pessoas deveriam ter a obrigação de resolver sozinhas. Gasta tempo e dinheiro para limpar a falta de educação e civilidade de seus alunos. Mas, curiosamente, a instituição não tem nenhuma política de reciclagem ou de educação ambiental para com seus alunos ou membros.

Num dia desses, cansado da apatia de todos e sem poder interferir pesadamente, pois sou um terceiro na relação, resolvi passar a fotografar as sujeiras mais artísticas. Exatamente quando fazia a foto que ilustra esse post, fui chamado por um grupo de três alunas, que aplaudiram minha iniciativa. Enquanto conversávamos, um aluno conhecido delas largou a sujeira e foi embora. A aluna mais falante o interpelou:

– Ele tá acabando de falar sobre largar as coisas nas mesas.
– Se eu jogar o lixo fora, ele vai demitir as meninas que trabalham na cantina, porque elas não vão ter mais o que fazer.

Não precisei falar mais nada. Catei a bandeja, joguei o lixo do imbecil no lixo. As meninas são agora clientes frequentes. O idiota certamente segue idiota.

Educação e civilidade não se aprendem na rua.

Debbie Harry

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Para muitos brasileiros minimamente esclarecidos sobre as coisas dos Estados Unidos, Miami está longe de ser um polo de sofisticação. Mas foi justamente de lá que veio um dos patrimônios da elegância e da beleza estadunidenses: a cantora e atriz Debbie Harry, mais conhecida como a voz – e o rosto – do Blondie, a popular banda por-rock-tudo surgida no meio dos anos 1970. Mas a vida em Miami durou muito pouco tempo, registre-se.

Debbie foi adotada aos três meses de vida pela família Harry, de Nova Jersey, sem jamais se interessar pelos pais biológicos. Cresceu, trabalhou como coelhinha da Playboy, posando em várias fotos sensuais. No final dos anos 1960, foi garçonete no Max’s Kansas City, uma das badaladas casas noturnas de Nova York, e começou a carreira musical cantando em uma banda folk chamada Wind in the Willows.  Ainda com cabelos castanhos.

Tudo mudou em 1973, quando conheceu o guitarrista Chris Stein. Namorados, ambos faziam parte de um grupo teatral que misturava música em suas apresentações, os Stilletos, mas resolveram montar uma banda própria em 1974. Já com o cabelo pintado de loiro que a marcaria para sempre, Debbie foi a inspiração para o nome da nova banda, Blondie.

O grupo ficou famoso no circuito punk nova-iorquino, e Debbie passou a ser vista como musa. Abençoados por Iggy Pop e David Bowie, o Blondie tocou nos clubes punk mais badalados da época, como o lendário CBGB (berço de bandas como Talking Heads e Ramones), Mothers, e até no Max’s Kansas City, onde até pouco tempo antes, Debbie servia bebidas e ganhava gorjetas. Aos 30 anos de idade (nascida em 1945), ela era a namoradinha da América. Num turbilhão passando por fama, dinheiro, drogas e conflito, o grupo durou até 1983. Quinze anos depois, retornaria com força até os dias atuais. No período, ela gravou vários discos em carreira solo e fez um monte de filmes.

Debbie continua a chamar as atenções. Perto dos 71 anos de idade, a jovem senhora ainda mantém o charme irresistível de quando despontou para o cenário mundial de quarenta anos atrás. Bela, intensa, provocativa, ousada, encantou gerações. Fez muita coisa, mas é impossível pensar em suas feições quase angelicais na gravação de “Heart of Glass” sem tê-las como um dos marcos da segunda metade do século XX.

#DebbieRules

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blondie warhol

debbie harry nua

Debbie-Harry 2016

Mais um novo feriado

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É CLARO QUE já estamos no clima do grande feriado. No coração da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, o fog carioca é uma realidade – e carioca, todos sabem, espera a primeira nuvem gris para colocar casaco, gorro, luvas e cachecol, sem a menor necessidade.

Está frio. Frio mesmo, porque parece que o ano sequer começou. Estamos parados em algum lugar entre o indizível, o nada e o inútil.

O caos do Brasil é tão grande que, entre o golpismo e o disfarce, é possível se deparar com situações hilárias, tal como as piadas advindas do áudio do Senador Jucá, dizendo que o Senador Aécio seria o próximo a ser comido.

O povo não resiste a piadinhas de duplo sentido. E aqui termina qualquer vestígio de graça.

Se o país fosse sério, provavelmente Jucá seria preso da mesma forma que aconteceu com Delcídio do Amaral, o senador cassado recentemente e que, noutros sufrágios eleitorais, obteve grandes êxitos porque as mulheres diziam que ele era um “gato”. Percebem como nada é sério nesta joça de lugar?

Horas atrás, um possível romance gay terminou de forma trágica. Um suposto casal, depois de trocas de facadas, caiu da janela do nono andar do edifício número 598 da rua Figueiredo Magalhães, sistema nervoso central de Copacabana. Poucos sujeitos conhecem tão bem o passado deste respeitável prédio quanto eu: entre 1977 e 1992, nele estive em 363 dos 365 (ou 366) dias de cada ano. Lá morava meu grande amigo Fred; em sua casa fizemos nosso quartel general da adolescência, com direito a ingresso nessa abominável vida adulta – era com demais escutar discos, lanchar sanduíches, jogar cartas, rir e aprender – um amigo usava cocaína – o outro, marijuana – lá passávamos todas as tardes, no décimo terceiro andar. Mas é feriado e logo esta terrível notícia servirá para forrar a gaiola do papagaio ou de um outro parente alado – ou ainda embrulhar ovos na feira.

As pessoas não estão nem aí com a dor do outro. O que importa é a viagem.

Golpe? Crise?

Desemprego? Violência?

Bastou que a Globo aliviasse a campanha em prol de seus interesses particulares – está até o pescoço em dívidas e depende de um governo federal, digamos, mais compreensivo, para que milhões de cordeirinhos colonizados deixassem de lado seus discursos coléricos.

A barra já tinha ficado pesada desde que vimos o show de horrores da Câmara dos Deputados ao vivo por um dia inteiro – foi o suficiente para que ali se estampasse todo o anseio coletivo pela escrotidão adotada por considerável parte dos brasileiros.

Dado o golpe, deram de ombros. O importante era que “acabassem com aquela corrupção”; essa aí de agora, de hoje, quase véspera do feriado, ainda “precisa ser investigada”.  Bonequinhos da velha imprensa calhorda a serviço de grandes interesses econômicos, nem um pouco preocupados com os destinos desta linda e castigada terra um dia chamada de Pindorama.

As ruas estão vazias nas calçadas. As pessoas têm medo. A moda é buscar refúgio nos shoppings recheados de “pessoas brancas de bem”. Céus!

Os aeroportos estão cheios. Não dava para tirar aquela “paraibada” dali?

Toda quarta-feira à noite tem um sonífero na tevê intitulado futebol. Quem consegue ver um jogo inteiro em casa sem dormir é praticamente um herói contemporâneo. Maracanã? Acabou, amigos: é um bananão, é um trombolho erguido no lugar daquele outro estádio que tinha alma, paixão, história, drama, gente. Esse tem visitantes e selfies.

O Rio é uma cidade fantasmagórica às vésperas dos propalados Jogos Olímpicos. Gangues de assaltantes de rua fazem arrastões em vários bairros. Muitas vezes você não vê tais notícias porque a televisão prioriza a cidade de São Paulo, onde você pode ver novos crimes na promoção com um sotaque especial – e todo o reacionarismo de um Datena saltando à tela.

Na entrada principal das grandes magazines do entretenimento, livros-jabá: a editora para para estarem ali, ora por interesse próprio, ora bancada por terceiros. Vale quanto propaga.

Os cafés deram lugares aos bares arrumadinhos, moderninhos, onde as pessoas enchem a cara sem qualquer conversa, troca de ideias ou algo que sugira princípios de fraternidade. No máximo, pegação.

Jornal nas bancas para quê? A internet resolve.

Era Rio, São Paulo e Brasil, mas poderia ser um monte de outros lugares neste mundo cada vez mais excludente, egoísta, cínico e hipócroto, um neologismo que define a fusão das palavras “hipócrita” e “escroto”.

Vamos vivendo. Vamos descansar desta selva, porque ela já volta.

Vem aí um novo feriado. Por que mesmo?

Os mortos nas estradas, contamos depois.

@pauloandel

Cidade maravilhosa, inútil paisagem

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No centro da cidade olímpica, moderna e cheia de ameaçadores delinquentes sub-18 no Largo da Carioca, perto do Forum na avenida Antonio Carlos e em qualquer shopping center dos furtos e roubos, anoitece. Talvez perto de dez da noite. Perto da Cruz Vermelha, a tia do açaí atende a diversos clientes ávidos por energia e talvez calorias. O que acontece perto da praça da República é para poucos destemidos.

Num aprazível condomínio da região, um casal de namorados ri enquanto ela vê uma série de TV estadunidense e ele escreve algumas páginas de um livro em atraso, enquanto pensa e reflete de maneira bastante abstrata sobre as mazelas do mundo, que podem ser as de qualquer um.

Um amigo em apuros, outro em festa, uma breve espiada nas redes sociais – arquipélago dos pedantes e academia brasileira dos pernósticos – mas existe salvação, humor, até amizade – o homem em sua estúpida competição em inúteis devaneios de superioridade, quando todos sabemos que o futuro é a morte e o cheiro podre da carne decomposta, onde moram a ganância e a arrogância de cada um, os outros predicados também.

Os cariocas debaixo de governos de merda, golpistas ou não, enquanto precisam ostentar felicidade porque esta cidade é belíssima e atrairá os olhares do mundo – PARA QUÊ? – não sejamos hipócrotos em repetir os mantras corporativos de paz e amor do empreendimento Rock in Rio.

A admirável decadência humana colide contra as façanhas das grandes corporações, que fazem de tudo a beleza e só os mais ignorantes acreditam num mundo melhor onde o lucro é a exploração.
Fugindo do centro e partindo para o Oeste: o escritor e ator Ernesto Xavier pensando em novas maneiras de combater as barbaridades que testemunhando nessa república abaixo da linha do Equador. Os negros ainda são incrivelmente discriminados como se nunca tivéssemos saído do século XIX.

Zona Norte: o escritor e jornalista Fagner Torres com dores no corpo, provavelmente fruto dessas doenças de mosquito que o Estado desprezou por três décadas. Barulhos na Tijuca tensa com policiais por todos os lados.

Nada de perder tempo com o programa jornalístico, claramente manipulado para ecoar a voz de seu dono. É melhor perseguir pequenas diversões eletrônicas. Qualquer Tijuca, qualquer Copacabana, enquanto os mais jovens não têm a menor ideia sobre Vieira Fazenda.

Em qualquer canto do fracassado principado olímpico, grandes obras e outras largadas, muitas pessoas com fome e trêmulas com o chão gélido das calçadas em vários bairros, gente sonhando com um improvável mundo melhor, ninguém muito preocupado com livros, quase todos já sonhando com o feriado da semana que vem e o resto, amigos, o resto é o intervalo entre as flores e o espaço de tempo para fumar e beijar seu noivo, do jeito que Otto – o grande artista pernambucano – gravou em seu primeiro álbum.

Ditaduras, democracias e golpes à solta depois, o certo é que temos smartphones demais, eletrodomésticos e carros demais, merchandising demais, mas ainda continuamos com sérios atrasos no que tivemos de melhor: cortesia, fidalguia, solidariedade. Foi tudo em vão: que grande irmão há de nos amparar? Somos egoístas demais, prepotentes demais, somos os melhores do mundo da insignificância. Um dia seremos todos inúteis, sem exceções. Nenhuma arrogância escapará da putrefação.

@pauloandel

Adeus, Cirandinha

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Vão caminhando os dias em passos absurdos, tortos e desconexos. Na véspera de um golpe anunciado, a internet é um pombo-correio: alguém te marca, você corre para ver uma informação e se depara com a perda.

Faleceu o Cirandinha, um dos ícones de Copacabana, ao menos bem depois do Bonino’s. Era uma espécie de xodó dos mais velhos do bairro, que nele reviam momentos da adolescência e até da juventude, levados por seus pais.

Sua fama sempre foi a de uma casa de chá. Por isso, a vida inteira teve a frequência de simpáticas senhoras que, em suas mesas, também pediam waffles. Tinha uma pizza espetacular, salgadinhos fabulosos, todo o cardápio era uma ida às nuvens.

Teve como vizinhos a elegante Casa Barbosa Freitas, a Casa Sloper, o cine Art Copacabana e o impecável Metro Copacabana, com seu letreiro de Broadway e um sistema de ar condicionado tão forte que alguns veteranos são capazes de jurar: ao término de uma sessão e a saída dos frequentadores, muitos sentiam a massa de vento refrescante vinda da sala de exibição do outro lado da rua! (exatamente onde ficava a Sloper).

Seu endereço era Avenida Copacabana 719, onde nasceu em 1957. Eu, que cheguei uma década depois, fui lá muitas vezes, mesmo depois de ter deixado Copacabana como morador para sempre – e digo sempre porque, com os preços aviltantes e muitos imóveis claramente fechados em função da lavagem de dinheiro, dificilmente terei como voltar. De toda forma, a vida é um galpão de jogos de azar.

Em certa oportunidade, em 1992, lá estive num começo da noite de domingo com meu amigo Gomão. Tinha voltado da Barra, um tanto desapontado: a mulher da minha vida naquela época estava namorando um outro sujeito. Pedimos uma pizza, refrigerante e o mundo ficou bem. Já trabalhávamos, ganhávamos pouco, mas era o suficiente para ter momentos de desabafo numa das melhores casas da história de Copacabana. Nada como a passagem das épocas para vermos que as verdades de outrora acabam sendo dissipadas pelo vento – os amores passam, passam, tudo passa. O mundo urrava com passeatas de combate à corrupção. Às vezes é bom envelhecer; noutras oportunidades, não.

Mais de vinte anos depois, entre idas e vindas, o Cirandinha foi o local que escolhi para ir com Marina, minha atual namorada, bem no começo da história. Aquele clima de charme, de antigamente, de mesinhas com toalhas brancas impecáveis, hambúrgueres de fino trato. Na entrada, o balcão estilo americano que logo dava o tom do local.

Os mais apressados vão dizer que o Cirandinha morreu exclusivamente por causa da crise, que é mundial e os oportunistas insistem em apontar como exclusivamente brasileira. Nada disso. Acontece que o restaurante sempre foi elegante, tradicional, delicado, ideal para conversas amenas, moderadas e fraternas. Aos poucos, o tempo foi ceifando a amabilidade, o prazer das conversas educativas, a boa sensação gregária e tudo passou a ser apenas futebol – que adoro – e BBB para atrair clientes em todos os bares, tabernas e restaurantes. A elegância – que não precisa andar de mãos dadas com a riqueza pessoal – deu o fora. Nestes anos todos, vi o público do Cirandinha amadurecendo cada vez mais, a ponto de um dos acontecimentos jovens que lá testemunhei ter sido o encontro de meus colegas de ginásio, da Escola Cícero Penna, em 2007 – quando todos estavam às vésperas dos quarenta anos. Numa reunião, percebemos que formávamos a mesa mais jovem do recinto. O mundo mudou, os adultos tornaram-se idosos, as pessoas passaram a sair menos de casa e tomar chá virou quase uma excentricidade. Pior para os tempos.

O Cirandinha, que sobreviveu a tantos percalços da vida brasileira, não resistiu a 2016, que na verdade é um 2015 que ainda não começou, exceto pela visão de inferno que se avizinha e não parece ter fim no horizonte. Eu queria levar Marina lá outra vez. Não será possível.

Um Cirandinha dali, um Teixeira Heizer de lá, Massas Suprema, Rick’s, a lanchonete de rua das Lojas Americanas na Figueiredo Magalhães, o Cine Condor. A Help, o Coruja Bar. Gordon e seu enorme canguru na porta. Tudo passa.

Ainda bem que o Cine Joia, na galeria dos peixinhos, sobreviveu para contar a história.

Louvadas sejam a Galeria Menescal e a Charutaria Lolló.

Copacabana resiste, sabe-se lá até quando.

@pauloandel

Nunca fomos tão brasileiros

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A ÚLTIMA vez em que fomos tão brasileiros, eu não sei dizer. Talvez quando um presidente sorriu na televisão e promoveu o preço do quilo do frango a um real. Talvez quando, em plena ditadura, muitos comemoravam que chegasse o dia 15 de novembro no meio de semana, não por causa de eleições, mas para poder aproveitar o feriado. Às vezes somos brasileiros demais quando há festa no Carnaval, nos raros estádios lotados, nas Paradas Gays em São Paulo, na decisão do programa Big Brother Brasil, na final da Copa (não essa última, é claro). Também no Dia de Finados, quando todos parecem consternados demais, ao contrário do resto do ano onde a grande onda é chamar a todos de vagabundos, especialmente os funcionários públicos – e muitos deles próprios assim se definem, numa estranha contradição entre o declamar e o viver.

Temos sido brasileiros demais quando alguém afirmou que o Brasil tem sido um país comunista, com todo o ridículo possível contido nesta sentença. Somos brasileiros demais quando algum fanfarrão prepotente vem com aquela bravata mofada de que nunca se roubou tanto nesse país, supondo que todos os interlocutores sejam suficientemente distraídos ou até mesmo boçais para não saberem expressões como “Coroa Brastel”, “Abi Ackel”, “Ronald Levinsohn”, “Salvatore Cacciola”, “Daniel Dantas”, “Delfin” e outros menos cotados. Somos brasileiros demais quando não sabemos distinguir milhões de bilhões – e então alguém grita: “O DEMAIS É QUANDO JÁ ESQUECEMOS DE CONTAR”.

Ultimamente temos sido muitos brasileiros. Os lamentáveis incidentes que cercam o país de uma ponta a outra não deixam dúvidas: temos um Brasil de muito suor, trabalho, proletariado, trem lotado, amendoim e paçoca, de linha 2 e parador, viajando em pé, esforçado pra caralho e outro, supostamente sofisticado mas sem recheio, supostamente elegante mas brega na essência, delivery, iphônico, excludente, metido a elitista sem qualquer atributo que não seja o dinheiro geralmente herdado, food trucking, sonhando com Miami, almejando os eletrônicos da Fnac – livro pra quê? -, linha 1 (em apenas parte dela e quando necessário), sentado, asséptico. E aí somos brasileiros pra caralho quando a linha 1 dá de cara com a linha 2 numa mesma estação.

Somos brasileiros demais quando achamos que os lobões e rógeres da vida fazem frente a um Tristão de Athayde, a um Nelson Rodrigues – VALHA-ME O DIABO QUEM INSISTE EM IMITAR ESTE HOMEM SEM TER PERDIDO A VIRGINDADE -, a um Paulo Francis. Ou quando caímos na esparrela de que Neymar vai ser maior do que Pelé, ou que Chico Buarque é um vendido. Somos brasileiros demais quando encaramos aquele velho disco do Tom Zé e somos incapazes de perceber toda a denúncia ali contida. Quando rilhamos os dentes contra o comunismo assassino de Cuba e da Venezuela – por favor, os mais letrados não riam! – enquanto o progresso do Brasil está na democracia das garotas de quatorze anos que são retiradas dos barracos porque algum traficante deseja fazer sexo com elas, enquanto os pais morrem de dor e vergonha – e quando se encher, pode colocá-las fazendo programa ou queimá-las vivas em pneus encharcados de gasolina. Somos brasileiros demais quando navegamos na internet e, nas redes sociais, encontramos dezenas de quilômetros de erros de Português, frases sem sentido, discursos verborrágicos continentais, ódio, rancor, inveja, subcelebridades e outros recalcados alimentando toda a tristeza porque jamais serão o que sonhavam, mesmo sem terem feito nada de útil para alimentar o sonho.

Sim, agora lembro a última vez em que fomos brasileiros demais: exatamente ontem. Cinco de maio. Quando o Supremo Tribunal Federal suspendeu temporariamente o mandato do deputado Cosentino, esse mesmo que está afundado até o nariz em transações, digamos, exóticas, fizemos um mar de silêncio. Durante dois anos, muitos de nós gritamos ardorosamente contra a corrupção, a roubalheira, os comunistas, os vermelhos, os que queriam impor uma ditadura (?) ao Brasil e, finalmente, quando veio a grande virada pelo fim de toda a corrupção, houve um constrangimento. Afinal, era uma farsa na qual só os doutorandos em ingenuidade poderiam cair.

Descobrimos que nossos 26 anos de democracia consolidaram uma Câmara dos Deputados com parlamentares sem voto, divididos em bancadas econômicas, completamente alheios às prioridades do Brasil e da maioria do povo, muitas vezes chefiados por velhos coronéis da política nacional, aqueles mesmos que cansamos de ver em sentido figurado nas novelas de Dias Gomes. Depois, quando o grande objetivo era tirar a “corja” do poder – e você acreditou feito um pato -, houve quem aplaudisse seu “bandido predileto”. O problema é que ele é muito mais bandido do que se possa pensar.  E quem decide isso é gente que teve meia tonelada de cocaína dentro de casa sem querer, gente que recebeu um bilhão na mão para vender o pato dos outros – e você também foi um pato -, gente que chega ao ponto de declarar homofobia e ocultar a própria homoafetividade – fundadores de movimentos de direitos gays inclusive.

Tudo isso e muito mais desaguou ontem na sessão de caça à cabeça do deputado Cosentino, este com vasta experiência nas citações criminais. Se não fôssemos brasileiros, mesmo que tudo seja apenas ilusão, teríamos comemorado como se fosse a conquista do hexa, soltado fogos, desfraldado bandeiras, berrado em tabernas. Quem mané panela porra nenhuma! Fizemos foi um silêncio do caralho. Não por causa dos atos, dos homens, de seus crimes, mas por causa desse elemento imprescindível à vida moderna nas grandes regiões metropolitanas brasileiras: a hipocrisia. Um silêncio constrangedor, porque muitos de nós não tiveram coragem de se olhar diante do espelho e gritar: EU SOU UM MERDA! EU DEFENDI UM BANDO DE MERDAS! EU BATI PANELA SEM PASSAR FOME PORQUE SOU UM IDIOTA DOMINADO PELA TV, QUE MANDA EM MIM E NA MINHA FAMÍLIA HÁ MEIO SÉCULO!

E agora o silêncio que pareceu hipocrisia pode ser também covardia. Semana que vem teremos um novo governo, já corrupto em seu cordão umbilical que vem de 30 anos atrás. Os nomes, os delatores e os processos deixam que todos mintam.

Pra frente, Brasil! Se a ponte para o futuro for igual à Rio-Niterói, não faltará espuma de sangue a brilhar enquanto um transeunte numa noite qualquer perto da praça XV, que nada tem a ver com a figura do bailarino homossexual Claudio Werner Polila – o “Jiló”-, há de cantarolar: “Há muito tempo nas águas da Guanabara/ O dragão no mar reapareceu/ Na figura de um bravo feiticeiro/ A quem a história não esqueceu”. E que não desabe por acidente feito o Paulo de Frontin.

Ontem fomos vergonhosamente brasileiros ao extremo. A punição ao deputado Cosentino é nossa carta de alforria. Agora podemos ser uma sociedade escrota de verdade, a valer! Estamos livres para toda sorte de safadezas, pois tudo é lícito: às favas com os escrúpulos!

Todos juntos vamos. Pelo menos não somos todos iguais. Seria estúpido demais. Vivamos o silêncio hipócrita da noite de ontem sem um arranhão sequer da caridade de quem nos detesta.

O primeiro dia do primeiro outono do resto de nossas vidas

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NUM SÚBITO o Rio de Janeiro foi tomado por frio, chuva e trem. Nem tanto frio, nem tanta chuva e muito menos trem, porque a Central do Brasil está apinhada numa sexta-feira à noite, a primeira de um outono atrasado depois de seis meses de verão infernal. Os que têm casas comemoram o suposto fim das temperaturas escaldantes. Os mais sofridos não têm intervalo para a dor: se antes um simples banho era um milagre diante da indiferença cotidiana, o inferno continua em se abrigar em calçadas molhadas, vento gélido das madrugadas, fome e tristeza. Pouca gente pensa nisso; afinal, muitos comemoram o impeachment, o fim da corrupção, a volta do privatismo e agora refestelam-se em seus bares, pagando contas com o dinheiro suado da meritocracia hereditária. Abril vai embora, um terço do ano vai embora e o tempo corre em rodas de aço sobre trilhos, em velocidade alucinante. O outono, tempo das folhas ao chão, das sombras, do gris do céu, tudo enquanto os funcionários públicos estão há meses sem salários, os jovens ocupam as escolas e a ciclovia faliu. Ainda bem que a corrupção acabou. Sexta-feira à noite e garotos alucinados pelo crack sorriem pelas ruas desertas do centro da capital, muitos sonhando com sanduíche de queijo, refrigerante, colchão, cobertor, roupas limpas e desenhos animados na TV. Uma linda mulher solitária, despertando mil suspiros e desejos, embarca em abraços funestos que não lhe darão o espírito da paz. Dois homens bons cruzam as ruas do Leme rumo ao Chapéu Mangueira, onde encontrarão suas famílias e terão uma noite de alívio. O escritor e. e. schneider com mil livros e discos por perto, pensando num poema e rindo de um detrator recalcado, conhecido como O Frankenstein das Laranjeiras, desengonçado e feio com sua voz fina – escreverá versos livres. Televisões ligadas à toa em canais alternativos. Dois homens efeminados insistem em negar a própria sexualidade enquanto se entreolham. A sexta-feira dos bares, do chope dourado da felicidade, das paixões passageiras, tudo tão efêmero e indiferente à família mendiga debaixo da marquise do Banco do Brasil na Senador Dantas. O belo caminho do Aterro do Flamengo está deserto, há um silêncio enorme e ninguém consegue avistar o Pão de Açúcar sem a devida reverência. O outono das religiões, dos romances, do vazio diante do sentido da vida. Alguns amigos se encontram e fingem nenhuma solidão diante de uma cidade tão bela e opressora. Um poeta qualquer recita “Oh, vozes que sustentam a interminável mudez/ meu coração é uma arquibancada vazia de um estádio que já não existe/ os jogos que não são orgasmos da alma do futebol/ tudo é distante demais/ somos exilados de nossa terra sentimental/ o estrangeiro é um dar de ombros/ um dia todo seremos uma cidade, um Estado/ mas então será tarde demais para o mundo dos mortos/ celebremos um gol como se fosse uma canção de João/ o Brasil é tenebroso e mesquinho/ não o dos humildes, proletários e mensageiros da verdade/ mas os covardes escondidos em seus condomínios morais/ tudo é tão distante que parece saudade e lembrança/ meu amor que não dorme e sonha/ outros pecados, outras palavras/ o Brasil está morto/ assassinado por seus aristocratas de merda/ e burocratas hipócritas de merda/ um minuto de silêncio pelas criancinhas mortas ao lado do chafariz da praça/ um minuto de amém num outono que acaba de nascer”.

O escritor p. r. andel no quarto de seu pequeno apartamento às vésperas de uma entrevista com o roqueiro Serguei, conversa com sua namorada pelo Whatsapp, espia o noticiário da TV Brasil, repara a enorme bagunça dos milhares de CDs, sorri ao ver Henrique Meireles e Antonio Anastasia em discursos sóbrios, tudo absolutamente contraditório diante do amor que não ousa dizer seu nome. Finge tranquilidade, escuta o barulhinho da chuva à janela, rabisca um possível poema, guarda a carteira falida, desliga a luz do quarto e lembra dos seus tempos de escoteiro.

E esta é a primeira noite do primeiro outono do resto de nossas vidas.

@pauloandel

Para pensar o que sobrou do Brazil

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Arraial do Cabo – Direção: Paulo Cezar Saraceni

Rocinha 77 – Direção: Sérgio Péo

Os inquilinos – Direção: Sergio Bianchi

Copacabana e Ipanema – Direção: João Paulo Jacobsen

Dançando com o Diabo – Direção: Jon Blair

A feiura da alma

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Era feio. Ou sentia-se feio.

Tudo bem: era feio pra caralho!

Por isso, seu desconforto parecia tão visível e explicava algumas de suas atitudes. Uma arrogância e uma prepotência excessivas. Desde cedo, a feiura lhe doía tanto diante do espelho que precisava criar um personagem para se defender. Ser arrogante era quase um instinto de sobrevivência.

Desengonçado, triste, desprovido de qualquer elegância, sentia-se feio demais e temia as gozações dos colegas da escola, da rua, da quermesse, das quais tinha verdadeiro horror. Num mundo de aparências, sua figura lhe parecia repugnante. Tremia até para pegar um mini hot dog numa festa infantil – “Olha o feioso comendo!”

Em mais de uma noite teve pesadelos ao ser apelidado de Frankenstein. Carregou desde sempre o peso do fardo de seu próprio julgamento. As mulheres o desprezavam, inclusive as que ele considerava feias também, porque o mundo das aparências atira futilidades para todos os lados.

Desconfortável dentro de seu próprio corpo, insatisfeito com a exposição de seu próprio rosto, se pudesse andaria de capuz. Dada a impossibilidade, tentou aprimoramentos intelectuais de modo a ser alguém na vida, alguém que pudesse nutrir a admiração de terceiros e compensar as suas agruras internas. Contudo, sabia de sua condição fake: era um sofisticado das orelhas de livros que não lia por completo. Falava de jazz até a terceira página, tentando constranger interlocutores mais modestos, mas sabendo que não poderia enganar profissionais do assunto. Recitava trechos de poemas, citava autores de nomes decorados. Tudo na verdade era um escudo para aliviar seus temores diante de uma constatação inevitável: a de que nada aliviava seu sentimento sobre a própria feiura. Tinha mais vocações do que propriamente talento. No entanto, poderia ir mais adiante se a obsessão a respeito da estética não lhe tomasse as vísceras, fazendo de tudo a bílis da alma.

Com o advento das redes sociais na internet, pensou que sua baixa autoestima temperada com arrogância o elevaria à condição de uma subcelebridade. Ansiava ser visto, lido, admirado, até desejado, mas num segundo tudo desabava diante de sua tristeza mortal. O espelho era seu cadafalso. Não lhe bastava o sonho de dar autógrafos, nem a tolice de querer ser mais importante do que realmente era. Um formador de opinião ou um charlatão da dialética? Não importava: parecer é muito mais importante do que ser, nestes dias de um Brasil em fúria e derrocadas em torno de seus próprios pés.

Não foi feliz, mas fingiu. Discursou de forma imponente mas ninguém percebeu. Disse as piores coisas de pessoas que sequer conhecia, sem se importar com o ridículo que atraía para si. Às vezes pensava: tudo poderia ser diferente se o espelho não lhe fosse tão lancinante à alma. A feiura era sua própria ditadura a torturar-lhe num pau de arara, a aplicar-lhe eletrochoques na personalidade, tornando-lhe pior do que realmente era. O horror de Brilhante Ustra.

Num sábado pela manhã, pensou na própria morte e chorou. As carnes decompostas, os ossos visíveis e pontiagudos diante da podridão, as peles em destruição, a massa disforme ali numa aquarela da derrota. Tudo ainda era longe demais e fazia parte das certezas inevitáveis de cada um, mas seu monodrama tinha um único foco: o triste dia do futuro, esperado para muito longe, seria o juízo final de sua feiura – dentro de um caixão fétido, seria ainda pior do que já era.

Sentado no sofá, chorou por instantes, e depois se recompôs – não podia fraquejar por nada, quanto mais um pensamento triste.

Mas concluiu que nada, absolutamente nada do que fizesse de bom ou ruim serviria para enganar a si mesmo: a feiura era seu talento inequívoco e permanente, o cartão de visitas. Mesmo que pudesse conseguir brilharecos na internet, constranger pessoas humildes e até ser tolerado pelos mais elegantes enquanto confundia empáfia com sapiência, perdendo precioso tempo que poderia utilizar para ser uma pessoa melhor, não havia frases, textos ou ensaios que se sobrepusessem ao que carregava de mais fútil, desimportante e relativo: o sentimento de não se aceitar como um homem comum nesta Terra onde tudo é efêmero. Queria ser o melhor de todos, o senhor supremo, o almirante da vaidade, mas a porta aberta do armário lhe oferecia uma realidade irrefutável: era feio, feio, feio demais, tão feio que era incapaz de pensar que, caso se tornasse uma pessoa melhor, as aparências seriam pequenas diante da realidade. Mesmo com alguns fãs e até amigos, que perdoavam todo o seu armazém de inconveniências.

Ligou o aparelho de som. O rádio tocava o trio de André Marques, John Pattitucci e Brian Blade. Não havia outra pessoa por perto e isso constituiu alívio: o esnobe declamador de jazz não sabia do que se tratava. Sorriu amargamente.

A pior feiura é a que corrói a alma, a ponto de desintegrar o sexo e os princípios básicos da fraternidade. A vida é muito mais do que uma aparência no espelho, ou diante de terceiros na frieza tecnológica da rede mundial de computadores.

@pauloandel.

Meu amigo que curte o Bolsonaro é meu amigo?

Esta semana, depois do deputado Jair Bolsonaro homenagear o Coronel Brilhante Ustra em seu voto no impeachment de Tia Dilma, o facebook viveu uma mistura de censura com caça às bruxas. Alguém teve a brilhante – perdão pela piadinha – ideia de visitar a página do deputado e lá viu uma penca de amigos seus que seguem a página e as suas publicações. Resolveu então exigir que essas pessoas parassem de curtir o cidadão e suas ideias extremistas sob pena de cortar relações virtuais com os admiradores do milico.

Essa imposição viralizou. Algo entre vinte e trinta amigos meus exigiram isso dos seus amigos. Como sou do contra, confesso que eu, que detesto o cidadão em questão, cheguei a pensar em curtir a página dele, só para ser do contra. Pelo visto não fui o único. Hoje, antes de escrever este texto, fui, pela primeira vez, visitar a página de Bolsonaro. A página teve, esta semana, um acréscimo de 450% em suas curtidas, com o ápice do crescimento justamente na 3a feira, dia em que o “movimento” pelo expurgo cresceu.

Parabéns aos envolvidos. Que sucesso.

Olhei então os 32 amigos que tenho e que seguem a página. Pessoas próximas, muito próximas e dois ilustres desconhecidos. Meus amigos são meus amigos, curtam o raio que curtirem. Tenho amigos flamenguistas, comunistas, petistas e varios outros istas dos quais discordo totalmente.

O problema que essa manifestação anti Bolsonaro está ajudando a identificar é a presença desses dois ilustres anonimos. Gente que é “amiga no facebook” mas de quem sei muito pouco além do nome.

Dentre os meus quase 700 amigos de facebook, certamente uns cinquenta deles são pessoas com as quais não tenho rigorosamente nada em comum. Gente que me pediu que os adicionasse por me conhecer de alguma ocasião social ou de eventualmente ter lido algum dos textos que publico por aqui, ou nos Panoramas Vascaíno e Tricolor. E que o foi. Acontece que eu não conheço essas pessoas direito. Eu não sei absolutamente nada sobre elas e, ao permitir a sua presença em minha timeline, eu as trouxe pra perto.

Então, o espanto com a quantidade de amigos que curtem Bolsonaro nas timelines das pessoas é apenas um consequência do problema verdadeiro: A de adicionar gente desconhecida a um ambiente que deveria ser, em termos, íntimo. Na ânsia de conseguir curtidas e público para suas elocubrações, tem gente que adiciona qualquer um que peça sua amizade. Eis o resultado: um bando de desconhecidos, seguidores das maiores sandices, que está ali pertinho, acompanhando o que você posta sobre seu trabalho, família, interesses…

É como naquela piadinha da transferência do Facebook pra vida real, na qual o sujeito sai pela rua afora berrando para os desconhecidos “Hoje estou feliz!”, “Olha o meu almoço”. Pois é exatamente isso que você está fazendo. Falando com e para estranhos.

Então, muito mais grave do que o seu “amigo” desconhecido seguir Bolsonaro, é ele seguir você. Sugiro, urgentemente, uma revisão das suas amizades virtuais. Como o Bolsonaro mostrou, elas não são tão amigas quanto parece.