Educação superior

imundicie

Nos últimos quatro meses, uma reviravolta em minha vida profissional me levou a cuidar de uma pequena rede de três cantinas lotadas em uma universidade do DF. Todas ficam no pátio central de seu respectivo Campus, onde há grande quantidade de mesas e cadeiras para uso dos clientes, em sua esmagadora maioria estudantes da instituição.

Há também uma grande quantidade (exagerada, até) de latas de lixo nestes pátios. Não há, portanto, nenhuma desculpa para que o lixo orgânico gerado pelo consumo dos clientes da cantina não vá parar no lugar próprio, ou seja, nestas latas de lixo.

No entanto, os universitários, futuros advogados, dentistas, nutricionistas, professores de educação física, enfermeiros, entre outros, são incapazes de jogar o lixo que produzem no lixo. O resultado visual ao final de um intervalo de meia hora, quando todos têm um tempo livre, é inacreditável. Uma imundície inaceitável produzida por gente com “educação”.

O que me intriga é saber se esses mesmos alunos, ao irem aos shoppings da cidade, ou em suas casas, se se comportam como a horda de hunos que vejo todo dia. Alguns chegam a espalhar o resto dos sachês de catchup nas mesas. Não se trata só de largar o lixo na mesa de forma minimamente organizado para alguém recolher, mas promover um desastre, inviabilizando o uso daquela mesa por quem vem depois. Duvido que o façam.

A faculdade mantem uma grande equipe de limpeza, que consome boa parte do seu tempo limpando o que as pessoas deveriam ter a obrigação de resolver sozinhas. Gasta tempo e dinheiro para limpar a falta de educação e civilidade de seus alunos. Mas, curiosamente, a instituição não tem nenhuma política de reciclagem ou de educação ambiental para com seus alunos ou membros.

Num dia desses, cansado da apatia de todos e sem poder interferir pesadamente, pois sou um terceiro na relação, resolvi passar a fotografar as sujeiras mais artísticas. Exatamente quando fazia a foto que ilustra esse post, fui chamado por um grupo de três alunas, que aplaudiram minha iniciativa. Enquanto conversávamos, um aluno conhecido delas largou a sujeira e foi embora. A aluna mais falante o interpelou:

– Ele tá acabando de falar sobre largar as coisas nas mesas.
– Se eu jogar o lixo fora, ele vai demitir as meninas que trabalham na cantina, porque elas não vão ter mais o que fazer.

Não precisei falar mais nada. Catei a bandeja, joguei o lixo do imbecil no lixo. As meninas são agora clientes frequentes. O idiota certamente segue idiota.

Educação e civilidade não se aprendem na rua.

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