Nós, os escrotos

os escrotos negativo

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.

A todo custo queremos mudanças, exceto aquelas que façam do Brasil um país na acepção da palavra.

Atendendo aos nossos anseios, fodam-se a democracia, as leis, as regras, a ética e as contradições. Eu não tenho nada “haver” com o problema do outro.

No fim das contas, o que nos incomoda não é a corrupção; afinal, qual de nós já não pecou muito? Essa tal corrupção nos olhos dos outros é refresco.

Inaceitável mesmo é ver um sujeito com cara de pobre, de criado, de empregadinho, mandando nos outros e dizendo o que deve ou não ser feito.

O pobre é nojento.

Ninguém tem culpa de termos miséria nas ruas.

Quem manda serem vagabundos? Se trabalhassem e estudassem não estariam nessa situação.

Imagine gente com a cara destas pessoas mandando no Brasil. Ou andando em avião, meu Deus! Já não basta empestearem o BarraShopping com chinelos de dedo e bermudas velhas?

Pobre só serve para depredar equipamentos públicos porque os traficantem mandam.

Camisas pretas, choques de ordem, prisões sem justificativa, disciplina: é o que precisamos para um país melhor, sem gentalhas, com brasileiros de verdade. Um país de todos, decente e honesto, que nem nos tempos da Revolução: aquilo sim é que era bom. E esses comunistas de merda mentem dizendo que havia tortura nos quartéis, que as piranhas de faculdade foram estupradas, que havia roubalheira. Pilantras! Nunca fomos tão honestos. Havia ordem. Bom mesmo era saber que a censura não deixava passar essas putarias na televisão que a gente vê hoje.

Aqui estamos nessa vergonha, nessa roubalheira sem tamanho, e nada nos resta a não ser restabelecer a ética e a moral que são os pilares do Brasil. Fora PT! Fora, corrupção!

Se for para tirar esses vagabundos e acabar com essa mamata de pobres, que mal tem em usarmos Cunhas, Temeres e Aécios? Se eles tiveram uma manchinha ou outra, não interessa: são homens honrados, de Deus, pela família, gente que tem a humildade de reconhecer que do pó veio e para o pó voltará.

Ainda somos os mesmos.

Ninguém pode ter a cara de pau de comparar nossos favores a esses corruptos do PT. Nossos financiamentos, nossas declarações de renda, tudo é feito dentro do respeito e da ética.

Por que devo dar dinheiro para o Governo? Eu que trabalhei, é do meu suor. Se é para eles roubarem, roubo eu.

Fiz faculdade pública financiada com o dinheiro dos meus impostos (…), quero dizer, meu pai pagou. Ou talvez tenha pago. Dane-se: eu sou especial e o Estado tem obrigação de me dar educação grátis. Eu não sou um qualquer.

Tem que acabar com esses hospitais de pobre. Custa muito dinheiro. Quem quiser que pague seu plano de saúde como eu. Quero dizer, que a empresa paga. Quero dizer, que meu pai paga aos empregados – e eu não sou um empregado qualquer, mas o filho do dono.

Tenho vergonha dessa crise, que é a maior de todos os tempos. Não dá para comparar com os anos 1970, 80 e 90. Onde já se viu essa vergonha de inflação de 1% ao mês? Isso é o fim do mundo.

Tinha que tacar uma bomba nessas favelas. Ia resolver muitos problemas do Brasil. Remover tudo. Eu não tenho culpa de que nasceram pobres. Que aprendam a pescar em vez de ganharem o peixe na boca. Aquele monte de gente preta, ou então esses paraíbas de balcão de botequim.

Acabar com essa vagabundagem do serviço público. Só tem vagabundo encostado. A minha mulher está lá, mas ela trabalha todo dia de 14 às 16 horas. Ela faz a diferença.

A gente tem que acabar com todos os corruptos, mas primeiro vamos exterminar essa merda desse PT, esses comunistas de merda, que querem tomar nossos apartamentos que nem em 1989.

Depois a gente vê o que faz.

Isso é inaceitável.

Chega desses ladrões!

Para acabar com essa corrupção, e daí que o juiz passe por cima da lei? Ele pode, é juiz!

Se o Cunha roubou, o importante é que está com a gente. O Temer também.

Se o Aécio está enrolado, pelo menos está com a gente. Tem que fortalecer.

E qual o problema do Bolsonaro? Ele defende a família, a pátria, os valores. Tem que acabar com esses viadinhos mesmo.

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.

Nós, que rimos dessa gente nojenta que quis ocupar o nosso lugar. Quem eles pensam que são? Gente sem nome, sem sobrenome, sem berço, um bando de Silvas, Souzas, Severinos, Marias, Josés.

Nós, os bastiões supremos da ética e da moral por um Brasil melhor.

Espero que, até aqui, tenha sido possível disfarçar toda a nossa hipocrisia.

Queremos nosso Brasil de volta. Cada macaco no seu galho.

Aqui estamos nós, os escrotos.

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