Maria saiu do grupo

Pedidos de demissão, rupturas de namoro, separações, divórcios, bate-bocas etc

O jeito moderno de fazer isso, hoje em dia, é pelo zapzap.

Pra que explicar, falar, gerar mal-entendidos? É simples. Você abandona o grupo.

Ontem à tarde, terceiro e último dia de treinamento para catorze novos funcionários de uma cantina. Uma moça faltou. Não deu aviso. Cerca de duas horas mais tarde, em pleno treinamento, quase todos ao mesmo tempo começam a conversar. Uma verbaliza:

– A Maria se demitiu.
– Ela ligou? Avisou algo?
– Não. Saiu do grupo!

Simples. Asséptico. Muitas horas depois, formalizou o que já se sabia por um comunicado lacônico.

Grupo de casais da Igreja. Seis casais. Doze números. Um grupo daqueles esquecidos, no qual ninguém conversa, exceto eventuais postagens de auto-ajuda religiosa ou votos de parabéns.

Plim! Fulana saiu do grupo. Falei com minha mulher:

– Ih… Beltrana saiu do grupo da Igreja! Acho que se separou.
– Deixa de ser fofoqueiro! Trocou de celular, ou resolveu sair do grupo, sei lá.

Horas depois… plim! O (ex) respectivo abandona o grupo também. Não dei mais um pio. Horas depois a confirmação. O casal havia se separado. Os dois plins já haviam comunicado o fato.

As vezes, no entanto, não rola plim. O romance da night anterior está lendo as mensagens. As setinham se duplicam, ficam azuis e o sujeito se finge de morto. O implacável zapzap, por meio daqueles “certinhos”, esfrega na lata da infeliz que o mancebo a relegou ao limbo. Não há alternativa. É fazer a fila andar. Porque lá, ela já andou.

Os exemplos citados são verdadeiros. Os nomes não. O casal voltou às boas. Entrou novamente no grupo.

Antes as pessoas conversavam. Depois, a conversa entrou no telefone. Passou pro chat. Caminha pros ruidos.

Falta pouco para grunhirmos.

SS SS! Ouvi uma vez. Fiquei tentando interpretar.

Era um “Dá licença?”.
Licença.
Cença.
SS SS!

plim.

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