Mulheres e a magreza

Li hoje, pela milionésima vez, um texto interessantíssimo escrito por uma mulher sobre a liberdade que ela experimentou quando aceitou seu próprio corpo. Não é a primeira e certamente não será a última.

Pela foto no texto, a dona é um espetáculo. Mas não era para si própria. Tampouco pra suas amigas em busca da barriga negativa.

Há um ponto em comum em todos estes textos que leio sobre o assunto:

A ausência do masculino.

A aceitação que as mulheres buscam não é dos seus parceiros. É das amigas. Das colegas de trabalho. Colegas de malhação. Aposto as minhas calças que a maioria delas têm em casa um companheiro que as elogia, que curte suas gordurinhas – imaginárias ou reais. Mas isso não é, infelizmente, levado em conta. A paranóia se generalizou no mundo feminino e aprisionou as mulheres num universo de dietas insanas, infelicidade constante com o próprio corpo e uma competição sem vencedoras.

A mulher padrão 2016 é esquálida e totalmente depilada.

Você (como eu) gosta de mulheres “ão” e peludas? Problema seu. As mulheres estão tão perdidas hoje em dia que virou grande transgressão deixar os pelos no corpo. Vera Fischer e Adriane Galisteu, entre outras, foram massacradas pela mídia porque ousaram posar para fotos eróticas deixando os pelos em seus devidos lugares. As revistas vendem como sucesso uma magreza doentia, que já fez vítimas mundo afora e que devagarinho vai sendo rechaçada em vários países. Mas não ainda no Brasil.

Incutiram na cabeça das moças que mulher peluda é sinônimo de mulher porca. Já ouvi isso algumas vezes. A pergunta imediata: “Quer dizer que sou porco porque tenho cabelo no suvaco?” é desprezada com um muxoxo por absoluta falta de argumentos.

A mulher não sabe por que se depila. Não sabe por que emagrece ou – pior – pra quem emagrece. E segue pirando cada vez mais em busca de um inatingível nirvana de pelo e ossos.

Moça, será que dá pra parar com isso? Ninguém está te pedindo pra gastar os melhores anos de sua vida tentando ser o que você não é. Arriscar a sua própria saúde por causa de vaidade não faz sentido. A bonitona do texto levou trinta e seis longos anos pra se descobrir. Tomara que você consiga fazê-lo antes disso.

Aqui em casa costumo dizer que gosto de tudo ão. Coxão, peitão, bundão.

Chega de magreza.

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