Hipocrisia social e Feliz Natal

Natal chegando. 2015 terminando.

Foi um ano muito difícil.

Minha (pouca) sanidade foi mantida com a inestimável ajuda de uma amizade de mais de vinte e cinco anos de duração e que, apesar de estar a 1200 km de distância, foi presença diária na minha vida. Vilarejo MetaEditora, os dois Panoramas, Encefálica, vários livros. E que sempre esteve presente para trocar ideias sobre os assuntos mais complexos ou para falar das coisas mais leves e ajudar a esquecer aquilo que verdadeiramente atormentava a ambos.

Tenho seiscentos e cinquenta e cinco amigos na minha timeline. Talvez setenta por cento deles não tenha noção de quem realmente sou e do que se passa na minha vida. Uns vinte, se muito, realmente são próximos e conhecem minhas batalhas. Normal.

O que não é normal é o que acontece nas redes sociais se você, num momento de tristeza, e desespero, talvez, resolver publicar um desabafo. Fiz essa experiência uma vez este ano. Os resultados foram assustadores. Praticamente ninguém interagiu. Reinou um silêncio esquisito, diferente dos demais posts. Dois amigos se interessaram.

Claro, nem todos os 655 viram o meu post. Tio Zuck esconde de mais da metade. Ainda assim, foi um belo teste.

Então, pra que serve a tal da rede social? Será que tem realmente alguma utilidade, se quando você realmente precisa ninguém vai estar ali pra você? Não tenho uma resposta formada.

Serve pra mostrar o quanto todos somos felizes, o quanto tudo é perfeito e belo. Grandes jantares. Sucessos retumbantes. Eu também posto essas coisas. Não sou melhor que ninguém. Apenas questiono o fato de uma ferramenta tão bacana restrigir-se a essa hipocrisia.

Antigamente as pessoas ligavam no aniversário. Hoje em dia, postam uma mensagem. E só. Pouquíssimos se dão o trabalho de ligar.

“Feliz aniversário votos muito sucesso vida profissional pt”. Recebi esse telegrama uma vez. A amigona que me mandou vai ficar furiosa com a lembrança 🙂

Então, se me permite o abuso de uma sugestão, saia de trás do computador e vá ter com as pessoas. Vá a um boteco jogar assunto fora. Se vir algo que te faça imaginar que um amigo precisa de você, telefone. Se interesse. Às vezes não é nada. Às vezes o seu interesse pode fazer uma grande diferença na vida de alguém.

Distância não é nada. O cara que me ajudou a sobreviver 2015 está no Rio e eu em Brasília. E a gente sempre conversa sobre o quanto é incrível que nós conversemos mais do que com gente que mora nas nossas cidades. Gente muito ocupada. Que sumiu.

Muito obrigado, Paulo-Roberto Andel. Por toda a ajuda, imaterial, intangível e incalculável.

Feliz Natal pra todos vocês. Que venha 2016.

Zeh

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