Collorido

Moro num país tropical, abençoado por Deus e travado por natureza.

Eu gostaria de ter um par de havaianas roxas ou rosa-choque.

E não há nada de esquisitex, prafrentex ou modernex nisso. Apenas a sua mente travada e a dos supermercados e ou revendedores da marca. O máximo que consegui transgredir até hoje em termos de cores foi um azul turquesa. Porque azul é cor de macho. No meu tamanho, 43/44, me são ofertados chinelos branco, preto, marrom, azul-marinho, verde-oliva. Doutor sócrates, com seu pezinho 37, teria um arco-íris de chinelos à sua escolha. Mas quanto maior o pé, menor a oferta.

Sou curioso pra saber o que vai acontecer nos próximos anos, pois a média de altura das mulhers brasileiras (consequentemente o tamanho do pé) está aumentando. Daqui a pouco a mulherada que calça quarenta vai se sentir preterida.

Claro, estou falando do modelo tradicional do chinelo. Não dá pra entender quem pague o triplo por um chinelo igual com uma bandeirinha do Brasil. A não ser que sejamos a pátria de chinelos.

Curioso esse preconceito com as cores em determinados nichos de mercado. As fábricas nacionais de automóveis, com honrosas exceções, fabricam carros nas “cores” preto, prata, branco e vermelho. Todas as variações de pérola, cinza, prata, metálico.

Cinquenta tons de cinza? Basta olhar qualquer estacionamento.

Pra vocês terem uma ideia da maluquice, em 2012, quando compramos nosso carro, o vendedor recomendou que não comprássemos um vermelho, pois (na época) a cor da pintura desvalorizaria o carro quando da venda em cerca de 10% do valor. Tornei-me então o (in)feliz proprietário de um carro prata.

Quer um carro colorido? Tá podendo? Compre um mini. Inglês.

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