Morrer para reinventar

Antes de qualquer outra coisa quero te avisar: você vai morrer.

O que você conhece hoje, algum dia não existirá mais e você talvez jamais volte a ver. Tudo possui um ciclo: Nasce, cresce, faz uma graça, se cansa e sai de cena. Porém diz a ciência que nada se perde, tudo se transforma, portanto, de alguma forma, uma parte daquilo que somos e fazemos segue adiante.

O jornalismo como se conhece hoje vai morrer. As grandes empresas de comunicação agonizam, fazem beicinho, tentam golpear, jogar sujo, mas as redações estão cada vez mais vazias, o jornal de papel praticamente não existe mais, o público envelheceu, a audiência dos telejornais é risível. A tentativa de se tornar mais informal do Jornal Nacional é a imagem deprimente de um programa que já ditou a pauta nacional, mas que se mostra “sem jeito” para frear a queda. A batalha é desleal. Derrota inevitável. Um computador, internet e um olho atento tornam cada habitante um gerador de notícias, com seu público específico e alcance direcionado.

Não sei se os hotéis vão morrer, mas o crescimento de sites como o Airbnb faz com que a relação do hóspede com a cidade mude. Cada vez mais o turista quer ter a experiência de viver algo próximo ao que passa o morador local. Preços atrativos, humanização, troca de informações com pessoas nativas. Esses são alguns dos motivos que fazem o aluguel de quartos e apartamentos ociosos em cidades de todo o mundo se tornar algo cada vez mais comum. A internet mudou a forma do ser humano se relacionar com as coisas.

As relações de trabalho oriundas da Revolução Industrial vão morrer. O sujeito sai de casa às 7h, entra no trabalho às 9h, almoça às 12h, sai do trabalho às 18h, chega em casa às 20h, toma banho, janta, vê o jornal, depois a novela e dorme às 23h. No dia seguinte a rotina se repete, mesmo que a demanda de trabalho seja diferente. Bater ponto. Bater ponto. Ser pontual. Ser disciplinado. Não ser. Esperar a sexta feira à noite para ser feliz. Chorar baixinho do domingo à noite rezando para que a segunda feira seja apenas um pesadelo passageiro. O Skype entra no dia-a-dia. Home Office é uma realidade. Trabalhar por demanda, buscar o bem-estar, ter tempo para outras atividades, para se aperfeiçoar, para criar, para viver.

O Uber veio para ficar. Ao menos por enquanto. Pode ser que um aplicativo mais eficiente surja em breve, mas hoje o Uber atende demandas que não eram supridas. O serviço só cresceu porque a população suplicava por um transporte melhor. Taxistas protestam e querem a proibição do aplicativo, mas não apresentam propostas de melhoria, não treinam seus motoristas, não fiscalizam as condições dos carros.

O carioca cansou de ser enganado no trajeto para pagar mais caro. O carioca cansou de ter “corridas” negadas. O carioca cansou de ser maltratado, assediado, sobretaxado. Aplicativos como o Uber surgem porque existem clientes dispostos a pagar mais caro, mas que exigem um serviço de qualidade.

O grito desesperado dos taxistas só mostra que este é um caminho sem volta. Toda mudança gera conflito. Esta mudança é apenas o começo. Tudo morre para que possa surgir algo novo. Se será melhor, só o tempo dirá.

A monarquia era o sistema político aceito e defendido no mundo. Ter um escravo era natural. Mulheres não podiam votar.

Relações morrem. A carne morre. Serviços morrem. O desafio que o passado tem é aceitar-se morto e dar-se a oportunidade de renascimento.

Quem está disposto?
Ernesto Xavier

3 thoughts on “Morrer para reinventar

  1. Janete Carvalho disse:

    Tem uma frase de uma música do Rappa que traduz essas mortes e que uso pra minha vida: “zerar do começo e repetir o play”. É isso aí. Tudo morre!

  2. Eduardo Felipe disse:

    O mundo gira 24 horas por dia. Não temos tempo a perder.

  3. Christina Morais disse:

    Show

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *