Vai uma pipoquinha?

Levei meu filho ao cinema esta semana. Programa legal, imagens na telona são divertidas para todas as idades. Apesar de que me sinto uma metalinguagem em looping quando tenho de pôr óculos especiais por cima de meus óculos para assistir a alguma coisa. São lentes para as minhas lentes.

Mas o assunto é outro. Não me deixe, por favor, enveredar por outros temas. Sou mestre em fugir de assuntos. Ops, lá ia eu de novo. Voltando ao cinema, é claro que você sempre se surpreende com a compreensão diferente que pessoas e empresas têm em relação às coisas. Bem, como a vida não está fácil para ninguém, aproveitar as promoções é o único jeito de uma diversão fora de casa sem precisar voltar sem as calças – ou quem sabe um rim – na troca por um
par de ingressos.

Lembro-me de um passado não tão remoto – talvez ontem mesmo, pois Jurassic Park e Exterminador do Futuro também estavam em cartaz – em que a quarta-feira era dia de meia-entrada. Pois bem, parece que o conceito de “metade” foi alterado na matemática. Na minha ou na do pessoal do cinema. Sorte dá para acumular promoções como cupons de desconto – cliente do banco tal, da seguradora tal, do clube de compras, sócio-torcedor e frequentador da biblioteca pública. No final, você se sente um pouco menos assaltado do que se realmente estaria, se pagasse um preço justo. E menor, óbvio.

Segundos depois, já na segunda fila, abate-se sobre mim aquela que é das mais fundamentais questões da humanidade: por que a pipoca do cinema é tão cara?

Sim, amigos deste e de outros mundos, aquilo é milho, sem nenhum outro atributo especial, idêntico aos antigos sacos de milho que levávamos para casa e aquecíamos em panelas com manivelas na tampa que mais pareciam o motor de uma nave alienígena oitocentista. Mas, ao contrário do senso comum, cada milho estourado naquele saco vale pelo menos uma moeda graúda. E não há opções razoáveis, o preço lhe empurra para a grandiosidade de tudo que é vendido. Combos super, mega e giga. Onde estão os tão simples de entender “pequeno, médio e grande”? Refrigerante de meio litro, quase um litro e um litro inteiro. O próximo passo é vender uma pet de dois litros e canos de pvc como canudos.

Claro que nada a menos que R$ 19,90. Ou R$ 21,90. Ou R$ 23,90. Ora, por dois reais eu levo o maior! É a vantagem da desvantagem. E assim caímos sempre no mesmo golpe. E ainda achamos que estamos nos dando bem. Geniais esses rapazes! Até porque o produto é de primeira necessidade: como não comprar as pipocas para o garoto? Ir até o pipoqueiro da esquina e voltar é impensável. Na verdade acho que eles passam os filmes só para atrair as pessoas.

Pura isca. O lucro do shopping inteiro sai mesmo é das pipocas.

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